A redução dos prêmios de risco e a queda dos juros futuros após o primeiro turno das eleições levaram a Privatto Multi Family Office a colocar quatro ativos no radar para as próximas semanas: BOVA11, Banco do Brasil (BBAS3), Cyrela (CYRE3) e Sabesp (SBSP3).
A seleção busca exposição a diferentes efeitos de uma eventual continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros. O BOVA11 representa a Bolsa de forma mais ampla, enquanto Banco do Brasil, Cyrela e Sabesp oferecem exposição aos setores financeiro, imobiliário e de saneamento, respectivamente.
A estratégia parte da possibilidade de redução do risco fiscal percebido pelos investidores e fechamento adicional da curva de juros. Esses movimentos podem diminuir o custo de capital das empresas e aumentar o valor atribuído pelo mercado aos resultados futuros. O cenário, entretanto, dependerá das sinalizações políticas e econômicas até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Segundo Eduardo Tellechea Cairoli, fundador e CEO da Privatto Multi Family Office, mudanças nas expectativas para juros, risco fiscal, crédito e fluxo de capital ganharam força após o primeiro turno e produzem impactos diferentes entre os setores da Bolsa.
Entre as quatro teses, o BOVA11 é a alternativa mais diversificada. O ETF acompanha o desempenho do Ibovespa e, por isso, permite exposição a uma eventual valorização adicional do mercado brasileiro sem concentrar a estratégia em uma única companhia.
No setor financeiro, a escolha é o Banco do Brasil. A avaliação da Privatto é de que BBAS3 pode responder ao fechamento da curva de juros, à melhora das condições de crédito e a mudanças na percepção de risco. O papel já esteve entre os destaques da Bolsa na reação inicial ao resultado eleitoral.
A Cyrela representa a parcela mais diretamente ligada à construção civil. O setor apresenta elevada sensibilidade aos juros porque o custo do crédito influencia tanto o financiamento dos compradores quanto o custo de capital das incorporadoras. Uma redução consistente das taxas futuras pode melhorar as condições para lançamentos, vendas e financiamento imobiliário.
A Sabesp completa a seleção com uma lógica diferente. A tese da gestora está menos concentrada no resultado eleitoral e mais relacionada à eficiência operacional, governança, investimentos e redução do custo de capital. Ainda assim, empresas de infraestrutura e saneamento também podem se beneficiar de juros menores por possuírem projetos de longo prazo e elevada necessidade de capital.
Apesar das quatro oportunidades identificadas, a Privatto recomenda limitar a exposição a essa estratégia. A alocação tática indicada pela gestora corresponde a 3% da carteira para investidores conservadores, 5% para moderados e 7% para agressivos, com BOVA11 ocupando a maior participação dentro dessa parcela.
A recomendação de limitar o tamanho da posição busca evitar que o patrimônio fique excessivamente dependente de movimentos de curto prazo relacionados às eleições. Até o segundo turno, mudanças nas expectativas fiscais, nas pesquisas eleitorais e nas propostas econômicas dos candidatos podem aumentar a volatilidade de juros, câmbio e Bolsa.
As indicações representam a estratégia da Privatto Multi Family Office para o período e não uma recomendação do Boletim Nacional. A adequação de cada ativo depende do perfil, dos objetivos e da tolerância ao risco de cada investidor.








