O Bradesco registrou lucro recorrente de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado que representa crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado e marca o nono trimestre consecutivo de avanço nos ganhos do banco. O desempenho veio levemente acima das projeções do mercado, que esperava lucro de R$ 6,62 bilhões, segundo consenso da Bloomberg.
O resultado reforça o processo de recuperação operacional iniciado após um período de forte deterioração da rentabilidade e da qualidade da carteira de crédito, cenário que pressionou as ações e colocou o banco atrás dos principais concorrentes privados nos últimos anos.
Desde que assumiu o comando do Bradesco, o CEO Marcelo Noronha tem defendido uma estratégia mais conservadora de crescimento, priorizando qualidade da carteira e redução de riscos, mesmo com menor expansão do crédito. Internamente, a política passou a ser resumida pela expressão “step by step”, repetida frequentemente pelo executivo ao justificar a retomada gradual dos resultados.
Segundo Noronha, a prioridade do banco continua sendo preservar a sustentabilidade da recuperação em um ambiente macroeconômico ainda considerado desafiador, marcado por juros elevados, inadimplência pressionada e maior seletividade no crédito.
A melhora dos resultados também aparece no retorno sobre patrimônio líquido (ROE), principal indicador de rentabilidade dos bancos. O índice subiu para 15,8% no trimestre, avanço de 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025 e acima da expectativa média do mercado, que projetava 15,2%.
Mesmo assim, o Bradesco ainda permanece atrás dos principais concorrentes privados. O Santander encerrou o trimestre com ROE de 16%, enquanto o Itaú segue liderando o setor com retorno de 24,4%, consolidando ampla vantagem em eficiência operacional e lucratividade.
Apesar da distância em relação aos rivais, o avanço do ROE é visto pelo mercado como um sinal importante porque o banco voltou a operar acima do custo de capital, em um momento no qual a Selic permanece em patamar elevado, ao redor de 15% ao ano.









