O cenário macroeconômico voltou a se deteriorar ao longo de maio — e a Genial Investimentos foi direta na avaliação: o Banco Central deveria interromper o ciclo de cortes desde já. Em relatório divulgado pela instituição, a revisão das projeções reflete uma combinação de fatores que, na leitura da casa, torna insustentável a continuidade de um ciclo de afrouxamento mais pronunciado. A Selic terminal foi revisada de 13,25% para 14,00% ao fim de 2026, e o viés aponta para encerramento do ciclo já na reunião de junho do Copom.
A deterioração da inflação é o ponto de partida da análise. O IPCA-15 mais recente ficou acima do esperado e com composição qualitativamente pior, marcada por pressões mais disseminadas em alimentação, serviços e núcleos — sinal de perda de tração do processo desinflacionário em um ambiente que oferece pouco alívio. A Genial revisou a projeção de IPCA de 2026 de 4,9% para 5,3% e a de 2027 de 4,1% para 4,5%, incorporando os efeitos do choque de commodities provocado pelo conflito no Oriente Médio e os possíveis impactos climáticos do El Niño no cenário base.
O relatório aponta que o problema não é conjuntural. A atividade doméstica segue resiliente — confirmada pelo PIB do primeiro trimestre, que mostrou reaceleração —, o mercado de trabalho permanece apertado e o impulso fiscal continua elevado. Esses três vetores sustentam a demanda e dificultam o arrefecimento da inflação de serviços, categoria que historicamente responde de forma mais lenta à política monetária contracionista.
Além disso, o câmbio perdeu parte do impulso favorável observado nos meses anteriores, em meio à incerteza eleitoral, e o conflito no Oriente Médio segue como principal vetor de risco externo, mantendo pressões altistas sobre energia, fertilizantes e cadeias produtivas globais.
A leitura da Genial sobre a política monetária vai além da revisão de números. Em exercício com o modelo do Banco Central, a instituição mostra que a postura look-through — que consiste em tolerar desvios de inflação causados por choques de oferta sem responder com aperto adicional — pode custar caro no longo prazo em um contexto de expectativas desancoradas, independentemente do vetor que as provoque.
Com o balanço de riscos assimétrico para cima tanto para inflação quanto para a própria Selic, a casa avalia que a comunicação recente do Copom já sinalizou essa mudança de tom, tornando-se mais hawkish ao reconhecer a piora do balanço de riscos e colocar explicitamente a interrupção do ciclo de cortes na mesa. “O viés é para encerramento do ciclo de corte já em junho”, conclui o relatório.










