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Payroll surpreende e chance de alta dos juros nos EUA supera 50%

Criação de 172 mil vagas nos EUA afasta recessão, mas pressiona o Fed a manter juros altos

O payroll de maio nos Estados Unidos trouxe uma surpresa expressiva — e não necessariamente bem-vinda para os mercados. A economia americana criou 172 mil vagas no mês, praticamente o dobro das 85 mil esperadas pelo consenso do mercado, enquanto a taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%. Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o dado afasta o fantasma de recessão nos EUA, mas abre espaço para um efeito clássico de “good news is bad news”.

A lógica é direta: um mercado de trabalho aquecido tende a pressionar a inflação, o que pode motivar o Federal Reserve a apertar os cintos e manter os juros elevados por ainda mais tempo. O mercado já começou a incorporar esse cenário — segundo o CME FedWatch, a probabilidade de aumento da taxa de juros ainda em 2026 já ultrapassa 50% após a divulgação do dado. “O número afasta o fantasma de recessão nos EUA, mas pode motivar o Fed a manter juros altos por ainda mais tempo, conforme um mercado de trabalho aquecido tende a pressionar a inflação”, avalia Zogbi.

As consequências para os mercados financeiros são amplas. A estrategista aponta que a reação esperada inclui abertura da curva de juros americana e fuga de ativos de risco — especialmente ações de crescimento e alternativos mais voláteis, como os criptoativos. Os mercados emergentes também entram no radar: com a expectativa de maior remuneração dos títulos públicos americanos, o capital tende a migrar para os Estados Unidos, aumentando a volatilidade nesses mercados.

Para o Brasil, Zogbi acrescenta um agravante pontual: a baixa liquidez decorrente da emenda do feriado. Nesse ambiente, a estrategista projeta abertura de alta do dólar e queda do Ibovespa na próxima sessão, com o mercado doméstico absorvendo os impactos externos em condições menos favoráveis de negociação.

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