O Tesouro Nacional afirmou que permanece atento às condições do mercado de títulos públicos e não descarta realizar novas intervenções caso volte a identificar dificuldades de liquidez ou episódios de forte volatilidade. A sinalização foi feita pelo coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Dias, poucos dias após o cancelamento de um leilão de NTN-Bs em razão das condições consideradas desfavoráveis para as negociações.
Segundo Dias, o objetivo da gestão da dívida pública continua sendo assegurar o financiamento das necessidades do governo, mas sem comprometer o funcionamento do mercado. Por isso, o Tesouro mantém um conjunto de instrumentos que pode ser utilizado sempre que houver necessidade de reduzir distorções e preservar a liquidez dos títulos públicos.
O coordenador explicou que a interrupção do leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), programado para esta semana, ocorreu porque o mercado atravessava um momento de maior dificuldade técnica. Apesar disso, afirmou que as condições apresentaram melhora nos últimos dias e seguem sendo acompanhadas diariamente pela equipe econômica.
De acordo com o Tesouro, existe um protocolo para momentos de maior estresse. O primeiro passo costuma ser a redução do volume ofertado nos leilões. Caso a volatilidade persista, a estratégia pode evoluir para ofertas simbólicas, com quantidades reduzidas de títulos, antes de chegar ao cancelamento das emissões. Em situações mais severas, a instituição também pode realizar operações extraordinárias de compra e venda de papéis ou recomprar títulos diretamente para ampliar a liquidez do mercado.
Essa estratégia já foi utilizada em março, quando o Tesouro promoveu recompras relevantes de títulos públicos durante o aumento da volatilidade provocado pelo início do conflito no Oriente Médio, buscando reduzir distorções na curva de juros.
Ao comentar o comportamento das NTN-Bs, títulos indexados à inflação, Helano Dias afirmou que diversos fatores vêm reduzindo sua atratividade. Entre eles estão a expectativa de desaceleração da inflação no médio prazo e a perspectiva de novos aumentos dos juros nos Estados Unidos, fatores que pressionam os ativos de renda fixa em diferentes mercados.
Mesmo após as taxas reais desses papéis superarem 8% ao ano recentemente, o coordenador ressaltou que o Tesouro não atua para definir o nível dos juros da economia, mas apenas para preservar o bom funcionamento do mercado. Segundo ele, a instituição dispõe de uma posição confortável de reservas de liquidez, o que oferece flexibilidade para agir quando necessário e retomar as emissões em condições consideradas adequadas.
Na avaliação de Dias, apesar do ambiente de volatilidade, os fundamentos da economia brasileira continuam favoráveis. Ele destacou o elevado volume de reservas internacionais, a continuidade da entrada de investimentos estrangeiros e o desempenho da atividade econômica como fatores que sustentam uma visão positiva para o mercado doméstico no longo prazo.










