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XP vê Selic parando em 14% e recomenda IPCA+ curto

Os spreads de crédito abriram no primeiro semestre e a XP recomenda emissores high grade com balanços sólidos

A XP revisou suas projeções macroeconômicas para o segundo semestre e chegou a uma conclusão direta para o investidor de renda fixa: o carrego continua sendo o rei, os spreads abriram e a seletividade importa. O relatório divulgado nesta segunda-feira (8) eleva a projeção do IPCA de 5,3% para 5,5% em 2026 e reduz o espaço para cortes de juros, com a Selic devendo cair apenas mais 0,5 ponto percentual até 14% ao ano.

O argumento central para a cautela com os cortes é a combinação de inflação resiliente, política fiscal expansionista e pressão persistente do petróleo. Com esse cenário, a recomendação nos títulos públicos é manter alocação em papéis indexados à inflação, o Tesouro IPCA+, com foco em vencimentos curtos e intermediários. “Os títulos indexados à inflação parecem mais atraentes nos níveis atuais, refletindo a recente reprecificação dos juros reais e os riscos crescentes de inflação no exterior”, diz o relatório.

O alerta da XP é contra o alongamento excessivo de prazos. Embora as taxas dos papéis mais longos operem nas máximas do ano e pareçam convidativas, o cenário fiscal piora com a proximidade das eleições, gerando volatilidade que pode prejudicar o investidor que precisar sair antes do vencimento. Nos prefixados, a cautela é ainda maior. “Travar rendimentos nominais exige forte convicção na trajetória da inflação, já que qualquer choque fiscal ou de oferta global persistente poderia desencadear novos deslocamentos para cima na curva”, alerta o texto.

No crédito privado, o primeiro semestre foi marcado pela abertura dos spreads e por eventos de estresse em grandes emissores. A XP avalia que o mercado entrou no segundo semestre em posição mais balanceada após a correção de um período de compressão excessiva de spreads, mas o ambiente de juros altos por mais tempo inevitavelmente consome a geração de caixa operacional e pressiona os índices de cobertura de juros. “A renda fixa vive um momento de taxas nominais atrativas, porém temos um cenário mais desafiador de risco de crédito, por isso a seletividade é tão importante”, afirmou Lucas Genoso, head de renda fixa do Research da XP.

A recomendação é priorizar emissores de alta qualidade com balanços sólidos, evitando empresas com alto endividamento que precisam refinanciar dívidas no curto prazo. Para completar a diversificação, a XP sugere incluir renda fixa internacional como alocação complementar, reduzindo a dependência exclusiva do risco soberano brasileiro.

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