O presidente da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua Júnior, voltou a se posicionar contra a proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 prevista em discussão no Congresso Nacional. À frente da entidade desde maio, o dirigente defendeu que eventuais mudanças nas relações de trabalho sejam resultado de negociações entre empregadores e trabalhadores, e não de alterações na Constituição.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Dall’Acqua afirmou que a proposta em debate desconsidera as diferenças entre os diversos setores da economia. Segundo ele, atividades como comércio, alimentação, turismo e saúde possuem necessidades operacionais distintas e, por isso, exigem soluções específicas negociadas por meio de acordos coletivos.
Na avaliação do presidente da federação, uma redução da jornada sem alteração salarial elevaria os custos das empresas, sobretudo das pequenas e médias, que poderiam ser obrigadas a ampliar o quadro de funcionários ou reorganizar suas operações para manter o funcionamento das atividades.
O dirigente também argumentou que a legislação brasileira já estabelece uma jornada máxima de 44 horas semanais, enquanto a carga horária efetivamente trabalhada pelos brasileiros seria inferior a esse limite. Para ele, eventuais reduções da jornada devem ocorrer gradualmente, acompanhadas por ganhos de produtividade e negociação entre as partes envolvidas.
Além do debate sobre a PEC da escala 6×1, Dall’Acqua abordou temas relacionados ao mercado de trabalho. Segundo ele, o elevado índice de informalidade decorre de diferentes fatores, entre eles o aumento do custo da contratação formal e a necessidade de aperfeiçoar políticas públicas voltadas à inserção dos trabalhadores no mercado.
Ao comentar o Bolsa Família, o presidente da FecomercioSP afirmou ser favorável à manutenção dos programas de transferência de renda, mas defendeu que eles sejam acompanhados de mecanismos voltados à qualificação profissional e ao estímulo à entrada dos beneficiários no mercado formal de trabalho, permitindo uma transição gradual para a autonomia financeira.
Um dos trechos da entrevista que gerou maior repercussão envolveu uma declaração sobre a possibilidade de restringir o direito de voto de beneficiários de programas sociais. Após a publicação da entrevista, Dall’Acqua encaminhou uma retificação ao jornal esclarecendo que a afirmação foi equivocada.
Na manifestação enviada posteriormente, ele afirmou que todos os cidadãos devem preservar o direito ao voto em uma democracia e explicou que sua defesa se restringe à criação de mecanismos que condicionem a permanência em programas sociais à comprovação da necessidade e à busca por inserção no mercado formal de trabalho, modelo que, segundo ele, já existe em alguns países.
À frente da FecomercioSP, Dall’Acqua sucede Abram Szajman, que permaneceu 42 anos na presidência da entidade. A federação representa aproximadamente 1,8 milhão de empresários dos setores de comércio, serviços e turismo no Estado de São Paulo. O novo presidente também passa a comandar os conselhos regionais do Senac-SP e do Sesc-SP, instituições que completarão 80 anos em 2026.










