O Bradesco atualizou suas projeções para a economia brasileira e passou a trabalhar com um cenário de crescimento mais forte da atividade em 2026, acompanhado por inflação mais elevada e uma trajetória menos favorável para a redução dos juros. A revisão reflete a avaliação de que os estímulos ao crédito e à economia têm reduzido os efeitos contracionistas da política monetária, exigindo uma postura mais cautelosa do Banco Central.
Na nova estimativa, o banco elevou a projeção para a taxa Selic ao fim deste ano de 12,75% para 13,75%. Com isso, a instituição espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova apenas mais duas reduções de 0,25 ponto percentual antes de interromper o ciclo de flexibilização monetária. Para 2027, a expectativa para a taxa básica também foi revisada, passando de 10,25% para 11% ao ano.
Segundo a equipe econômica liderada por Fernando Honorato Barbosa, a ata mais recente do Copom indica uma estratégia de maior flexibilidade nas próximas decisões de política monetária. Na avaliação dos economistas, o Banco Central passou a adotar uma condução mais dependente dos indicadores econômicos diante da combinação de riscos externos, como os efeitos da guerra e do fenômeno El Niño, além de fatores internos que ainda podem pressionar a inflação.
O banco considera que o nível elevado dos juros reais, aliado à perspectiva de estabilidade cambial e à expectativa de menor impulso fiscal e de crédito nos próximos anos, tende a favorecer a convergência da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Ainda assim, o processo de redução da Selic deverá ocorrer de forma mais gradual do que o previsto anteriormente.
As estimativas para o crescimento da economia também foram ajustadas. O Bradesco passou a projetar expansão de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, acima da previsão anterior de 1,8%. A instituição avalia que as medidas de incentivo ao crédito implementadas pelo governo devem sustentar a atividade econômica no curto prazo, compensando parcialmente o efeito restritivo dos juros elevados sobre o consumo e os investimentos.
Para 2027, entretanto, a expectativa é de desaceleração mais intensa. A projeção de crescimento foi reduzida de 2% para 1,5%, refletindo a avaliação de que parte da expansão do crédito observada atualmente poderá resultar em maior comprometimento da renda das famílias e menor geração de caixa das empresas, reduzindo o ritmo da demanda e dos investimentos no ano seguinte.
No cenário para a inflação, o banco também elevou suas projeções. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5% para 5,3% neste ano, enquanto a previsão para 2027 foi ajustada de 3,7% para 4%. Entre os fatores considerados estão os impactos do conflito internacional sobre preços, a pressão dos alimentos influenciada pelo El Niño e a resiliência do setor de serviços.
Apesar dessas pressões, o Bradesco avalia que alguns fatores podem contribuir para aliviar parte da inflação nos próximos meses. A expectativa de estabilidade do câmbio e a redução dos preços internacionais do petróleo tendem a diminuir os custos na cadeia de bens industriais, criando condições para uma desaceleração da inflação no último trimestre do ano.









