Destaque
DestaqueEmpresasNotícias

Bancos veem mais riscos para ações do Grupo Mateus

Autuação da Receita Federal equivalente a cerca de 15% do valor de mercado do Grupo Mateus eleva riscos para investidores

A autuação de aproximadamente R$ 1,3 bilhão aplicada pela Receita Federal ao Grupo Mateus passou a integrar o conjunto de fatores de risco monitorados pelo mercado financeiro. Na avaliação de bancos e casas de análise, o processo não deve produzir impacto imediato relevante sobre o caixa da companhia, mas tende a aumentar a percepção de risco dos investidores e a pressionar o desempenho das ações.

O valor da cobrança corresponde a cerca de 15% do valor de mercado da empresa e, segundo análises do BTG Pactual e do Safra, amplia um cenário que já vinha sendo considerado mais desafiador para a varejista. Entre os fatores apontados estão a desaceleração da demanda, os juros elevados, o aumento da concorrência no varejo alimentar e a disputa pela renda das famílias, inclusive com o crescimento das apostas esportivas.

XP Investimentos e Bradesco BBI avaliam que o efeito financeiro da autuação tende a ser limitado no curto prazo, uma vez que o processo inicia sua tramitação na esfera administrativa e poderá, posteriormente, ser discutido na Justiça. Segundo as instituições, esse tipo de disputa costuma se estender por vários anos, com prazo estimado de pelo menos uma década até uma definição definitiva.

Embora o impacto operacional imediato seja considerado reduzido, os analistas alertam que a notícia pode elevar a volatilidade dos papéis à medida que o mercado acompanhe novos desdobramentos do caso. A inclusão de mais um fator de incerteza na tese de investimento tende a influenciar o comportamento dos investidores, especialmente em um ambiente de maior cautela com empresas do setor de consumo.

O Safra manteve recomendação neutra para as ações do Grupo Mateus e fixou preço-alvo de R$ 4,50 por papel. Considerando a cotação de R$ 3,83 utilizada no relatório, a estimativa representa potencial de valorização de aproximadamente 17%, embora a instituição ressalte que a evolução do processo tributário continuará sendo acompanhada pelo mercado nos próximos anos.

Postagens relacionadas

1 of 666