O Citi revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a considerar encerrado o ciclo de flexibilização da política monetária. A instituição agora estima que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá a taxa Selic em 14,25% até o fim de 2026, refletindo um ambiente de inflação persistente e expectativas de preços ainda acima da meta do Banco Central.
A mudança representa uma alteração relevante em relação ao cenário anterior do banco, que ainda previa espaço para novas reduções dos juros. Na avaliação da instituição, o processo de ajuste da taxa básica chegou ao fim porque as expectativas inflacionárias permanecem desancoradas e não mostram sinais de melhora no curto prazo, reduzindo a margem para uma política monetária menos restritiva.
O banco também elevou suas projeções para a inflação. A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou para 4,8% em 2026 e 4% em 2027, ambos os índices acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central. Segundo o Citi, a revisão incorpora a persistência da inflação de serviços, o nível ainda aquecido da atividade econômica e um hiato do produto considerado apertado, fatores que mantêm pressão sobre os preços.
Apesar da previsão de estabilidade da Selic neste ano, a instituição continua projetando o retorno do ciclo de cortes em 2027. Nesse cenário, a taxa básica de juros encerraria o próximo ano em 12,5%, à medida que as condições para a convergência da inflação se tornem mais favoráveis.
No campo da atividade econômica, o Citi manteve a estimativa de crescimento de 1,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O banco avalia que o desempenho mais forte observado no primeiro trimestre foi impulsionado principalmente pelos setores de agropecuária e indústria, com efeitos considerados temporários. Para os próximos trimestres, a expectativa é de desaceleração gradual da economia, em um ritmo mais próximo do potencial de crescimento do país.
Mesmo com a moderação da atividade, a instituição prevê um mercado de trabalho resiliente, com taxa média de desemprego de 5,8%, próxima dos menores níveis históricos. Esse cenário tende a sustentar parte da demanda doméstica, mas também contribui para a persistência das pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços.
O relatório também destaca o cenário fiscal como um dos principais fatores de risco para a economia brasileira. Segundo o Citi, medidas recentes ampliaram as incertezas sobre a trajetória das contas públicas. A instituição projeta que a dívida bruta do governo geral alcance 83,4% do PIB ao fim de 2026, acima da estimativa de 78,6% para o encerramento de 2025, reforçando a necessidade de monitoramento da política fiscal por seus impactos sobre a inflação, os juros e o custo de financiamento da economia.









