O Itaú BBA revisou suas projeções para a política monetária e o câmbio, passando a adotar um cenário mais conservador para os próximos anos. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, o banco elevou a estimativa para a taxa Selic ao fim do atual ciclo de afrouxamento monetário e revisou para cima as projeções para o dólar, refletindo uma combinação de inflação persistente, riscos domésticos e um ambiente internacional menos favorável para moedas de países emergentes.
Na nova avaliação, o Itaú projeta que a Selic encerre o ciclo de cortes em 14% ao ano, acima da estimativa anterior de 13,75%. O banco acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual, na reunião de agosto, antes de interromper o processo de flexibilização monetária.
Segundo o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, a comunicação mais recente do Banco Central indica que o espaço para novos cortes está cada vez mais restrito. Na avaliação do economista, embora a autoridade monetária não tenha descartado completamente novas reduções, a sinalização de que o balanço de riscos permanece pressionado pela inflação reforça uma postura mais cautelosa e sugere que o ciclo de ajuste está próximo do fim.
O relatório destaca que a persistência de expectativas de inflação acima da meta de 3% e a resiliência da atividade econômica aumentam a probabilidade de uma política monetária mais restritiva. Para o Itaú, caso esses fatores continuem se intensificando, existe inclusive o risco de que o corte de juros esperado para agosto não seja realizado. Ainda assim, o cenário-base da instituição mantém a previsão de retomada das reduções da Selic ao longo de 2027, com a taxa encerrando o ano em 12,50%.
No mercado cambial, o banco também revisou suas estimativas. A projeção para o dólar no fim de 2026 passou de R$ 5,15 para R$ 5,30, enquanto a expectativa para 2027 foi elevada de R$ 5,35 para R$ 5,50.
De acordo com Mesquita, a revisão reflete a perspectiva de um cenário externo mais adverso ao real, impulsionado principalmente pela expectativa de novos aumentos de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve. O economista também cita a queda dos preços do petróleo, a piora dos termos de troca do Brasil e o aumento do prêmio de risco doméstico, movimento que costuma ganhar força em anos eleitorais. Na avaliação do Itaú, apesar de o diferencial entre os juros brasileiros e americanos ainda oferecer algum suporte ao câmbio no curto prazo, o conjunto desses fatores aponta para uma tendência de desvalorização do real nos próximos trimestres.









