A forte queda das taxas de juros futuros após o primeiro turno das eleições levou a XP a rever a estratégia para suas carteiras de renda fixa. A instituição aumentou a exposição a títulos prefixados, reduziu parte da participação dos pós-fixados e ampliou de três para quatro anos a duration recomendada, medida que indica maior exposição a papéis com prazos mais longos.
O ajuste ocorreu depois de uma reprecificação expressiva da curva de juros. Na segunda-feira (5), alguns vencimentos registraram redução superior a 100 pontos-base, movimento que, segundo a XP, foi o maior observado em um único dia desde 2018, considerando a série acompanhada pela instituição.
O DI com vencimento em janeiro de 2029 recuou de 13,75% para 12,65%, queda de 1,10 ponto percentual. No contrato para janeiro de 2031, a taxa passou de 13,99% para 12,70%, redução de 1,29 ponto percentual.
A queda foi mais intensa nos vencimentos intermediários e longos, que incorporam não apenas as expectativas para a trajetória da Selic, mas também a percepção dos investidores sobre as condições fiscais do país nos próximos anos. A reação ocorreu com a redução dos prêmios de risco depois do resultado do primeiro turno das eleições.
Os títulos públicos indexados à inflação acompanharam o movimento. A taxa da NTN-B 2029 caiu de 7,46% para 6,96%, enquanto a NTN-B 2035 passou de 7,65% para 7,04%. No vencimento de 2050, a taxa recuou de 7,27% para 6,76%.
Quando as taxas de mercado caem, títulos prefixados e indexados ao IPCA emitidos anteriormente tendem a se valorizar por meio da marcação a mercado. O efeito costuma ser maior nos papéis de prazo mais longo, que apresentam maior sensibilidade às alterações na curva de juros.
A reprecificação também modificou as expectativas para a política monetária. De acordo com a XP, a curva passou a incorporar uma taxa Selic terminal próxima de 12% a 13%, abaixo dos níveis ao redor de 14% observados no início de outubro.
Ao mesmo tempo, houve redução da inflação implícita, calculada a partir da diferença entre as taxas dos títulos prefixados e dos papéis indexados ao IPCA. O movimento foi mais significativo nos prazos longos e indica que o mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma combinação de inflação mais baixa e juros menos restritivos nos próximos anos.
A mudança levou a XP a adotar uma posição mais favorável aos ativos que podem se beneficiar de novas quedas das taxas. Os prefixados passaram a ocupar espaço maior nas carteiras recomendadas por combinarem taxas ainda elevadas com a possibilidade de valorização caso os juros futuros continuem recuando.
Os títulos atrelados ao IPCA permanecem na estratégia como proteção contra a inflação no longo prazo e também podem registrar ganhos com a marcação a mercado se houver novo fechamento da curva. Já os investimentos vinculados ao CDI continuam sendo considerados relevantes para liquidez, preservação de capital e diversificação, embora a atratividade relativa desses papéis possa diminuir com a continuidade da redução da Selic.
A XP ressalta, porém, que a reprecificação observada após o primeiro turno ainda depende da evolução do cenário político e econômico. A continuidade da redução dos prêmios de risco estará relacionada às propostas fiscais apresentadas pelos candidatos, à definição das equipes econômicas e às medidas capazes de influenciar a trajetória da dívida pública nos próximos anos.
Assim, embora o resultado eleitoral tenha provocado uma mudança significativa nas expectativas do mercado, a consolidação desse movimento dependerá principalmente da percepção dos investidores sobre a condução da política fiscal após as eleições.









