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Compra do Digimais pelo BTG já tinha entraves antes da operação da PF

Negócio entre BTG e Digimais já enfrentava dificuldades com exigências do FGC antes da investigação da PF

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o Banco Digimais nesta terça-feira adicionou um novo fator de incerteza às negociações para a venda da instituição ao BTG Pactual. O acordo preliminar anunciado em abril já enfrentava obstáculos relacionados à análise financeira do banco e à necessidade de um apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas a investigação elevou o nível de complexidade da transação.

O negócio dependia do cumprimento de diversas condições precedentes, entre elas uma avaliação detalhada dos ativos e passivos do Digimais e a estruturação de um empréstimo do FGC para viabilizar a operação. Nos bastidores, fontes do mercado afirmam que o processo vinha avançando em ritmo mais lento do que o esperado devido às exigências adicionais feitas pelo fundo e à necessidade de apresentação de documentos complementares tanto pelo Digimais quanto pelo BTG.

Segundo pessoas próximas às negociações, a demora na definição do apoio financeiro reduziu parte do entusiasmo inicial do BTG. A expectativa era de que o processo tivesse uma tramitação mais rápida junto aos órgãos reguladores, especialmente diante da deterioração financeira observada na instituição controlada pelo grupo ligado ao bispo Edir Macedo.

Apesar da nova investigação, especialistas observam que a operação não inviabiliza automaticamente uma eventual aquisição. O principal objetivo do FGC, nesse tipo de situação, é preservar a estabilidade do sistema financeiro e evitar custos maiores decorrentes de uma eventual liquidação da instituição. Por isso, uma solução de mercado continua sendo considerada uma alternativa possível, desde que apresente menor risco ao sistema e ao próprio fundo.

Os desafios, no entanto, aumentaram. A Operação Miragem investiga suspeitas de fraude contábil e suposta utilização de fundos de investimento para melhorar artificialmente a situação financeira do banco. As apurações ocorrem em um momento delicado para a instituição, que já vinha enfrentando dificuldades para recuperar a confiança do mercado.

A pressão aumentou ainda mais após a agência Fitch rebaixar a classificação de risco do Digimais e afirmar que a quebra da instituição passou a ser uma possibilidade concreta. A avaliação elevou as preocupações dos investidores sobre a capacidade do banco de enfrentar o atual cenário sem uma solução definitiva para sua situação financeira.

Em nota, o Digimais afirmou que mantém suas operações regulares, possui nível de caixa adequado para cumprir suas obrigações e segue conduzindo sua estratégia de negócios com foco na continuidade das operações. A instituição também reiterou seu compromisso com a transparência, a solidez financeira e a prestação de informações aos clientes e parceiros.

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