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BC eleva projeção do PIB de 2026 e reforça alerta para a inflação

Revisão do Banco Central reflete surpresa positiva no PIB, melhora da agropecuária e indústria extrativa, além de medidas de crédito lançadas pelo governo

O Banco Central revisou para cima sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, elevando a estimativa de 1,6% para 2,0%. A atualização consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira e reflete um desempenho acima do esperado no primeiro trimestre, perspectivas mais favoráveis para a agropecuária e a indústria extrativa e a continuidade da resiliência do mercado de trabalho.

Segundo a autoridade monetária, a atividade econômica segue sustentada por um ambiente de emprego aquecido e pela ampliação de medidas de estímulo fiscal e creditício adotadas ao longo do ano. No documento, o BC destaca que esses fatores contribuíram para melhorar o cenário de crescimento da economia, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

Entre os estímulos citados estão programas de crédito subsidiado lançados pelo governo federal, como as linhas operadas pelo BNDES para financiamento de caminhões, ônibus, táxis e veículos destinados a motoristas de aplicativo. Estimativas do economista Marcos Mendes, do Insper, apontam que o conjunto das medidas fiscais e de crédito já representa aproximadamente R$ 215 bilhões, equivalente a cerca de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse total, R$ 97 bilhões correspondem a despesas classificadas como financeiras, destinadas principalmente ao financiamento dessas linhas de crédito.

Apesar da revisão positiva para o crescimento, o Banco Central manteve o diagnóstico de que o cenário inflacionário continua exigindo cautela. A projeção para a inflação de 2026 permaneceu em 5,2%, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2027, a estimativa segue em 3,7%.

Já para 2028, horizonte considerado relevante para as próximas decisões de política monetária, a projeção foi elevada de 3,50% para 3,69%. Segundo o BC, esse período passou a ser a principal referência para avaliar a convergência da inflação à meta de 3%, especialmente após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

No encontro realizado em 17 de junho, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo. Na ata divulgada nesta semana, o colegiado informou que avaliou diferentes cenários para os próximos meses, incluindo uma eventual pausa no ciclo de flexibilização monetária ou a continuidade dos cortes graduais, dependendo da evolução da inflação e das expectativas do mercado.

O Banco Central reforçou ainda que a combinação entre crescimento da atividade, mercado de trabalho resiliente e estímulos fiscais e creditícios amplia os desafios para a condução da política monetária. Segundo a instituição, o processo de convergência da inflação continuará sendo acompanhado de forma criteriosa nas próximas reuniões do Copom, levando em consideração o comportamento dos preços e a evolução do cenário econômico doméstico e internacional.

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