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Copom faz alerta fiscal e vê custo maior no combate à inflação

Banco Central alerta que aumento de gastos, crédito direcionado e incertezas sobre a dívida podem limitar novas quedas da Selic

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou que o Banco Central segue preocupado não apenas com a inflação, mas também com a condução da política fiscal. O documento, divulgado nesta terça-feira, reforça que a trajetória dos juros dependerá cada vez mais da confiança do mercado na sustentabilidade das contas públicas e na capacidade do governo de controlar o avanço da dívida.

Apesar de ter reduzido a taxa Selic para 14,25% ao ano, o BC sinalizou que o ambiente econômico continua desafiador. Segundo o colegiado, políticas fiscais previsíveis e comprometidas com a estabilidade das contas públicas ajudam a reduzir os prêmios de risco exigidos pelos investidores, favorecendo a queda dos juros de longo prazo e contribuindo para a convergência da inflação à meta.

O Banco Central destacou que o impacto da política fiscal vai além dos gastos imediatos. Na avaliação da autoridade monetária, dúvidas sobre a estabilização da dívida pública, expansão do crédito direcionado e a perda de ritmo das reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia — nível considerado compatível com crescimento sustentável sem pressionar a inflação. Quando isso acontece, torna-se necessário manter juros mais elevados por mais tempo para produzir os mesmos efeitos sobre a atividade econômica e os preços.

A menção ao crédito direcionado chama atenção em um momento em que o governo amplia programas de financiamento subsidiado para diferentes setores da economia. Embora essas medidas tenham objetivos específicos, parte do mercado avalia que elas podem reduzir a eficácia da política monetária ao estimular a demanda em um cenário ainda marcado por inflação acima da meta.

O documento também reforça que as expectativas para os preços continuam sendo um fator de preocupação. O IPCA acumulado em 12 meses segue acima do teto da meta e as projeções de mercado permanecem distantes do objetivo de 3% definido pelo Conselho Monetário Nacional. Para o Banco Central, esse quadro exige cautela na condução da política monetária e atenção constante aos riscos fiscais e inflacionários.

Mesmo com as ressalvas, o Copom indicou que suas projeções apontam para inflação abaixo da meta no primeiro trimestre de 2028, período que servirá de referência para a próxima reunião do colegiado. A autoridade monetária, porém, evitou qualquer sinalização sobre o ritmo dos próximos movimentos da Selic, destacando que as decisões continuarão dependentes da evolução dos indicadores econômicos.

Para analistas, o principal recado da ata foi a tentativa do Banco Central de reforçar que a queda dos juros não depende exclusivamente da desaceleração da inflação. A percepção de risco fiscal, a trajetória da dívida pública e o avanço das reformas seguem entre os fatores mais relevantes para determinar até onde a Selic poderá cair nos próximos meses.

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