A defesa do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação de sua prisão preventiva. Preso desde abril no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, o executivo argumenta que tem buscado colaborar com as autoridades, mas afirma não ter recebido uma resposta formal da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre sua intenção de firmar um acordo de colaboração premiada.
No pedido encaminhado ao Supremo, o advogado Davi Tangerino sustenta que as tratativas com o Ministério Público Federal permanecem sem definição desde abril. Segundo a defesa, uma reunião com procuradores foi realizada no fim de maio, mas não houve avanço concreto nas negociações nem manifestação oficial da PGR sobre a proposta apresentada pelo ex-dirigente do banco.
Nos bastidores da investigação, a avaliação de integrantes do Ministério Público é de que as informações oferecidas por Paulo Henrique Costa não acrescentariam elementos relevantes às apurações já em andamento e não envolveriam confissões de crimes. Situação semelhante ocorreu com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujas propostas de delação foram rejeitadas anteriormente pela Polícia Federal e pela própria PGR.
A defesa também argumenta que o ex-presidente do BRB nunca foi interrogado desde a primeira fase da operação, deflagrada em novembro do ano passado. Além disso, destaca que Costa tentou antecipar parte dos anexos de uma eventual colaboração mesmo sem a formalização de um acordo de confidencialidade com os investigadores.
No recurso apresentado ao STF, Tangerino compara a situação de seu cliente à de outros investigados no caso. O advogado cita o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que responde às investigações em liberdade, submetido apenas ao monitoramento por tornozeleira eletrônica. Segundo a defesa, não haveria justificativa para a manutenção da prisão preventiva de Paulo Henrique Costa diante desse contexto.
Caso André Mendonça rejeite o pedido de liberdade provisória, a defesa solicita a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. O argumento central é que os fatos investigados estão relacionados ao período em que Costa presidia o BRB, cargo do qual foi afastado por decisão judicial em novembro de 2025 e posteriormente desligado da instituição.
A petição também contesta a manifestação da PGR que apontou risco de continuidade de práticas ilícitas. Para a defesa, não há elementos que indiquem qualquer atuação do ex-executivo após seu afastamento do banco, razão pela qual a manutenção da prisão seria desnecessária e desproporcional.










